Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

O MISTÉRIO DE DEUS (O ETERNO PROPÓSITO DE DEUS EM CRISTO)


PEDIDOS: moisesolim@bol.com.br



Em suas epístolas, o que Paulo claramente ensinou é que o Pai estabeleceu o bom juízo da Sua vontade em tempos eternos। Em Romanos 8.29, está escrito que aqueles que Deus "conheceu antes", Ele os "pôs à parte de antemão" para Si mesmo.

Surge em nossas mentes a questão: antes do quê Ele os conheceu e os separou para Si?

Certamente antes do estabelecimento do mundo, do tempo humano, da Criação, e, por isso mesmo, antes de Adão e da queda. Em I Coríntios 2.7, Paulo escreve: “...falamos a sabedoria de Deus...a qual Deus separou de antemão antes das eras para a nossa glória”. Em Seu tempo, o pecado não influenciou e nem foi a causa de Seus planos. Assim, a ação de pôr à parte de antemão e tantas outras ações divinas estão em função da Sua vontade eterna e não da queda ou de obras humanas. Dessa forma, embora a escolha seja elemento essencial, é apenas inicial; ela não é um fim em si mesma, é um dos meios através do qual o Pai estabelecerá a plenitude do Seu Propósito. A ação de pôr à parte foi feita segundo Ele mesmo decretou para Seus próprios fins, pois fomos “...separados de antemão segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.” . A eleição, portanto, deve ser compreendida a partir da complexidade das diversas outras ações que Ele já fez para a finalidade que planejou e não como a totalidade da Sua Vontade e, para compreender isso, deve-se partir do Seu tempo.

Ao observarmos o desejo do Pai a partir da eternidade podemos chegar a lugares diferentes daqueles em que outros já fincaram suas bandeiras. Em Deus não estava incluída a queda do homem de modo que este não estava determinado ao pecado. Deus o criou nas condições que o havia projetado em Sua mente. Dessa forma, se não tivesse ocorrido a desobediência, não haveria a necessidade do plano da Redenção ou da cruz histórica. A Redenção se fez necessária porque houve o desvio humano do alvo estabelecido e não porque ela já estivesse no Plano Divino original como se Deus houvesse determinado a queda adâmica.

Marcos , falando dos sofrimentos que o Mestre haveria de passar, diz que tudo ocorreria a partir do “é preciso” divino; o Pai realizaria Seu plano mas, agora, para isso, a morte do Filho era necessária. Desse modo, “...o Filho do Homem está sendo entregue às mãos dos homens e o matarão...” . O “é preciso” divino está inteiramente ligado ao sentido da expressão verbal na voz passiva “sendo entregue”. Por ser necessário à magnitude do objetivo do Deus-Triúno, o Filho foi entregue à morte pelo Pai: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus...” . E mais ainda, Ele “...deu-se a si mesmo...” segundo o Supremo Desígnio. Tudo ocorreu de acordo com o que profeticamente foi dito pelas Escrituras Sagradas, de modo que a Sua morte foi um ato totalmente divino.

Apesar da necessária Redenção, os sofrimentos de Cristo não foram concretizados nos tempos eternos. Lucas registra uma oração dos crentes da igreja primitiva: “...porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito antes fixaram” . Os sofrimentos, embora estabelecidos pelo propósito divino, não foram preordenados antes da fundação do mundo. Devemos tomar a precaução de não entender indevidamente o verbo grego "proorídzo" como terminus technicus localizando sua realização na eternidade a cada ocorrência nas Escrituras. A morte substitutiva estava delimitada, separada, posta à parte no sentido de que o Pai já a havia estabelecido muito antes de sua realização na História.

O livro do Apocalipse diz que o Cordeiro foi morto, não na eternidade, não desde a eternidade, não antes da fundação do mundo, mas "..DESDE a fundação do mundo” . No Seu Projeto, a marca do pecado não estava presente e a cruz histórica era desnecessária. Pela presciência divina, face ao pecado, a Redenção foi incorporada ao Grande Projeto. O Pai entregou Seu Filho à morte para que, resgatando Sua propriedade, Sua Vontade Eterna alcançasse cumprimento. A queda de Adão, aos olhos humanos, tem a aparência de um empecilho ao desenvolvimento de Seu Desejo, mas Ele não foi surpreendido e, em Seu conselho, para solucionar o desvio, incorporou a Redenção ao Plano original.

O bom juízo da Sua vontade permaneceu no Pai durante tempos indetermináveis. Não se pode definir, na eternidade, quando foi que o Projeto começou a ser pensado e quando ficou totalmente definido. Paulo usa a palavra mistério para tratar o que foi-lhe revelado a respeito desse assunto:“...conforme a revelação do mistério ... que, agora, se tornou manifesto...” . Só na carta aos Efésios, o apóstolo usa seis vezes tal vocábulo: “...desvendando-nos o mistério da sua vontade...”(1.9), “me foi dado conhecer o mistério conforme escrevi há pouco...” (3.3), “...podeis compreender o meu discernimento no mistério de Cristo...” (3.4), “...e manifestar qual seja a economia do mistério...” (3.9), “Grande é este mistério...” (5.32); “para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho...” (6.19). Ainda diz: “...falamos a sabedoria de Deus em mistério...” . É preciso esclarecer que o termo mistério não tem o sentido comum de enigma, mas de algo ainda não revelado, de algo desconhecido pelas gerações anteriores.
Ao uso insistente do termo, o apóstolo acrescenta que tal mistério era um segredo de Deus oculto nEle mesmo durante o tempo da eternidade: “...desde os séculos, oculto em Deus...” ; “...guardado em silêncio pelos tempos eternos...” ; “...o qual em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado...” ; “...mas falamos a sabedoria de Deus... oculta...”.

Você deve estar pensando: O que pode ser tal mistério? Seria possível compreendê-lo? A epístola paulina aos Colossenses diz:

...o mistério escondido dos séculos e das gerações foi, agora, foi manifestado aos seus santos, aos quais Deus quis dar a conhecer quanto à riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória...

Qual é, portanto, tal mistério? A resposta concentrada de Paulo é: Cristo revelado entre e nos homens (judeus e gentios) com as diversas implicações que disso resultam। Mas não sejamos simplistas। Estaria o apóstolo afirmando que o segredo era a Sua vinda ao mundo e que a bênção espiritual seria estendida aos gentios? Se a resposta for apenas isso - embora tais fatos estejam incluídos nela - certamente o segredo não foi muito bem guardado. Afinal de contas, os profetas do Antigo Testamento já haviam prenunciado a vinda do Messias, do Ungido, do Cristo. Há uma quantidade enorme de detalhes profetizados sobre a vinda e sobre a vida de Jesus, de modo que não podemos considerar isso como um mistério guardado em segredo. As próprias boas-novas da salvação pela fé não é um bem restrito à era cristã. Falando do povo desobediente de Israel, o escritor aos Hebreus lembra que “...a nós também foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé... por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas.” Deste modo, não se pode entender o mistério de Cristo como sendo apenas a Sua vinda histórica a fim de realizar o sacrifício exigido para remissão dos pecadores pela fé; na verdade, embora a manifestação do homem Jesus seja parte fundamental da Vontade Eterna que não sofreu mutação - “...o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” -, não é a totalidade dela. Os objetivos de Deus com a vinda de Seu Filho Eterno são muito maiores do que os nossos olhos enxergam; devemos vê-la dentro do que ela representa no todo do Seu querer antigamente velado e não a partir do que ela proporcionou para nós. Paulo escreve: “Suplicai...para que Deus nos abra a porta da palavra, para falarmos o mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado...”. A expressão mistério de Cristo refere-se à intenção Paterna cuja pessoa central é o Filho. O apóstolo está falando sobre mistério que há de ser concretizado por meio do e no Filho.

Corroborando com o capítulo primeiro (1.27), firmes e explicativas são as palavras de Paulo aos Colossenses:

...para que... eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus: Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

O mistério guardado secretamente em Deus era Cristo. Mas como assim?

No Grande Plano, Cristo é o centro. O Projeto é Cristocêntrico. Tudo o que se deu e que se dará terá como núcleo a pessoa de Cristo, o Eleito Eterno do Pai; Ele é o realizador e o centralizador de tudo. (“...Este é o meu Filho, o eleito... A forma verbal no original grego é e)klelegme/noj que indica uma eleição continuamente definitiva: Jesus foi, é e sempre será o Eleito de Deus, o Filho Eterno Eleito do Pai.). É evidente que não se trata de uma escolha para salvação; Jesus é o autor da Salvação de modo que dela não necessita. Sua eleição se dá sob o âmbito posicional e é por isso que Ele é o “...o primogênito de toda a criação...” , “...o primogênito de entre os mortos...” ; “...o primogênito entre muitos irmãos...” . A primogênitura refere-se aos Seus direitos, à Sua posição preeminente sobre tudo e todos. No coração do Pai, em Seu bom Conselho, Seu Filho Primogênito terá toda a primazia. O apóstolo Paulo afirma: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” . O pronome ele refere-se à pessoa de Jesus conforme podemos ainda verificar em: “Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” . Tudo há de convergir na Pessoa de Cristo: toda a Criação, todos os poderes, todas as instâncias de autoridade se curvarão diante dEle. O Pai assim projetou e assim será: “Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos... proclamando em grande voz: digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” . Cristo é o cabeça de todo principado e potestade . NEle foram depositadas todas as esferas do Projeto do Pai. Ele tem primazia porque Ele é o Seu Filho Amado.

Se apenas examinarmos os primeiros versículos da epístola aos Efésios já poderemos notar como o apóstolo eleva o Filho e O coloca acima de tudo e de todos, exceto do Pai: Deus é o Pai de Cristo (1.3); nos abençoou nEle (1.3); nos escolheu nEle (1.4); nos predeterminou para a adoção de filhos por meio dEle (1.5); nos concedeu a sua graça nEle (1.6); nEle temos a Redenção pelo seu sangue (1.7); o Pai revelou-nos o mistério da Sua vontade que estabeleceu em Seu Filho (1.9); nEle o Pai planejou convergir todas as coisas (1.10); nEle fomos feitos herança (1.11); a esperança é nEle (1.12); nEle fomos selados com o Espírito Santo da promessa (1.13); Ele é o cabeça da Igreja (4.15). Assim, “nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.” . Entretanto, Ele mesmo, submisso ao Pai, vivendo para agradá-Lo, “...também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”.

No tempo determinado, Deus há de convergir em Seu Filho todas as coisas. Quando a plenitude dos tempos for alcançada, tudo o que há e o que haverá de ser se curvarão diante do Filho: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus é Senhor, para glória de Deus Pai.” . Arcanjos, querubins e anjos; homens, mulheres e crianças; velhos e jovens; chefes de Estado e o simples cidadão; o rico e o pobre; Satanás e seus demônios, todos se curvarão diante do Ungido do Pai e se submeterão ao Seu senhorio. O Pai O constituiu “...herdeiro de todas as coisas...”.

É notório que o Grande Projeto Eterno resume-se na pessoa de Jesus. Portanto, não foi simplista ou equivocada a afirmação de Paulo ao dizer: “...o mistério de Deus: Cristo”. Ele é a exata revelação do Pai, é a manifestação da Sua Intenção e da Sua Vontade ocultas. Foi o Evangelho de Cristo que as revelou aos homens e aos poderes do mundo espiritual. Quando escreve a Tito, Paulo diz-lhe que estamos vivendo na esperança da vida eterna prometida “...diante dos tempos eternos...” a qual “...em tempos próprios...” foi revelada pela pregação do Evangelho de Cristo.

O Filho Eterno despiu-se da Sua majestade divina e armou a Sua tenda entre os homens a fim de trazer à luz aquilo que estava guardado no coração do Pai. O apóstolo dos gentios, ao ensinar seu filho na fé, lembra-lhe que a “ ...graça...nos foi dada em Cristo Jesus diante dos tempos eternos, e que agora foi manifestada pelo aparecimento do nosso Salvador Cristo Jesus. ” . A Sua vinda promoveu o desvendamento da Soberana Vontade, sendo o Filho a peça central de todo o Projeto. A graça de Deus foi derramada entre os humanos através de Jesus pois Ele nasceu entre nós "...pleno de graça...” do Pai. Embora tal graça, por causa do pecado, tenha sido manifestada aos olhos dos homens através da Redenção efetivamente concretizada na cruz histórica, ela estava presente nos tempos eternos mesmo se a queda jamais tivesse acontecido, isto é, na era em que a morte do Filho não fazia parte da Vontade Eterna. Antes de toda Criação, o Pai, em graça, já havia estabelecido em Seu Projeto que a Sua Vontade se manifestaria entre os homens por intermédio de Jesus. É certo que fomos resgatados imerecidamente por preço de sangue (“...pela graça sois salvos...” ), mas se o pecado adâmico não tivesse sido inserido no mundo, ainda assim careceríamos dessa mesma graça para tornarmo-nos filhos de Deus, precisaríamos dela a fim de que o homem natural fosse revestido do espiritual; sem ela, permaneceríamos na condição de alma vivente. Sem a graça por intermédio de Cristo jamais a filiação teria ocorrido porque é nEle que “...fomos também feitos herança....” .Sem o pecado, o Filho Eterno, em forma humana, se manifestaria para que o homem, alimentando-se de Sua carne e bebendo de Seu sangue, obtivesse a vida eterna ; trata-se da vida que só Deus tem; não um fôlego presente em toda a Criação, mas a vida pertencente à natureza divina. O ser humano se apropriaria da Sua Pessoa e, através do nascimento do alto (a)/nwqen ), da autoridade de se tornar filho de Deus. Dessa forma, as palavras do apóstolo ficam mais significativas: a “...graça...nos foi dada em Cristo Jesus diante dos tempos eternos...”.

Entretanto, marcados pelo pecado, os homens se afastaram do plano original de Deus. Afetados pelo pecado, para conduzi-los de volta ao caminho, o Pai determinou a cruz que nos trouxe a graça salvífica. Por meio dela, o homem é recuperado de sua queda e, pelo nascimento espiritual, filiado ao Pai. À humanidade caída não foram dadas duas opções: Somente a cruz de Seu Filho é capaz de salvar. Como todas as coisas devem convergir em Cristo, a Redenção, incorporada ao Grande Todo, também tende a um mesmo fim: Cristo. Fora dEle não há salvação; as obras não salvam porque alteram o centro: “porque pela graça estais salvos, mediante a fé... não de obras para que ninguém se glorie.” . Outros mestres, por melhores que sejam, ou qualquer instituição religiosa que exista, não estão autorizados a serem o caminho para Deus porque o Filho é o Caminho: “Não há salvação em nenhum outro...” . Em qualquer época, só Jesus salva - seja pela fé nAquele que haveria de vir ou pela fé nAquele que já veio -, porque assim o Pai decretou.

Quando o homem submete-se à autoridade de Cristo, ele está se curvando à Vontade Eterna. Toda insubordinação, insurreição, incredulidade ou dureza de coração afasta-nos dEle. Todo mecanismo de salvação diferente da obediência a Cristo é perda de tempo. Toda altivez contra o conhecimento de Deus deve ser vencida e aniquilada; todo o pensamento deve ser levado cativo, submisso à obediência de Cristo . Por sua vez, quando os homens rejeitam a salvação ofertada por Deus em Seu Filho, eles se constituem inimigos da cruz (inimigos da única forma de acesso a Deus) e, apesar de possuírem grandes qualidades, “...o destino deles é a perdição...”

Estar em Cristo é a condição que as Escrituras consideram essencial para ser participante do Grande Projeto: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós (...) Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora..” ; “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...” .

Quando alguém se aproxima dEle pela fé e O recebe em sua vida, ele nasce do alto, do céu, de Deus. Deus Espírito começa a habitar nesse corpo ainda mortal (mas que agora vive na esperança da plenitude da vida eterna) fazendo-o experimentar os bens do mundo vindouro, do mundo ainda a ser revelado. Dessa forma, ele deixou de ser um homem distanciado de Deus pois recebeu perdão e justificação; ele não vive mais sob a condenação do pecado, mas sob a Graça. Pela fé nAquele que levou seus pecados à sepultura, ele agora tem paz com Deus.

O acesso ao Pai está liberado. O homem, tendo sido redirecionado, tem diante de si a porta que estava fechada por causa do desvio cometido. O caminho obstruído pelo pecado foi liberado por Cristo. Quem crê no Filho Eterno, entra na presença do Pai. Quem disso se apropriar, pertencerá a um novo sistema coordenado: a Igreja de Seu Filho.

Por que aquele que deixa o modo de viver decaído herdado de Adão pertencerá à Igreja? Porque Deus estabeleceu em Sua soberania, desde a eternidade, que a Igreja teria um papel de extrema importância para Ele; é através dela que o Pai realizará seu plano antes oculto aos homens. Não estamos falando de denominação ou de conceitos religiosos. Nada disso. Quando usamos o termo Igreja, estamos nos referindo ao corpo de autênticos cristãos que estão espalhados no mundo inteiro; referimo-nos a todos aqueles que pela fé fazem parte do Propósito de Deus.

Paulo percebeu tal importância. Só em sua epístola aos Efésios, ele faz nove menções a ela:
1.22 – “E pôs todas as cousas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as cousas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo...”;
3.10 – “...para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida...”;
3.21 – “...a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus...”;
5.23,24,25 – “...como também Cristo é o cabeça da Igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela.”;
5.27 – “...para apresentar a si mesmo Igreja gloriosa...”;
5.29 – “Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja.”;
5.32 – “Grande é o mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja.”
A cada capítulo que percorremos, podemos perceber que sua mente e coração estavam fitos em Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) e em como a Igreja participa do Seu querer.

Enfim, quais são os objetivos das ações do Pai, a que lugar deseja chegar? Qual a Sua intenção em eleger e predeterminar? Há em Seu coração algum projeto com os homens? Paulo diz que sim e que tais respostas poderão ser encontradas na Igreja.

(Fonte: FERREIRA, Moisés Olímpio. O mistério de Deus. O eterno propósito de Deus em Cristo. São Paulo: 2003, cap. 1.)

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

57o. SEMINÁRIO DO GEL - RIBEIRÃO PRETO

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

A REENCARNAÇÃO DE JESUS


INTRODUÇÃO

É por demais impressionante como os seres humanos são atingidos, de modo tão profundo, por fatos que ocorrem em suas vidas! Todos têm algo no sótão da mente e na sede das emoções que produz suspiros de saudade, lágrimas de alegria ou mesmo sentimentos que apertam o coração pelo imenso oceano da lembrança.
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O nascimento da minha primeira filha foi algo tão marcante na minha vida, que ainda consigo formar a imagem da enfermeira tirando-a da sala de cirurgia e trazendo-a em seus braços pelo corredor até o local onde eu estava. Isso aconteceu há muitos anos, mas ainda consegue fazer emergir a mesma emoção.
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Com os seus pequenos olhos bem abertos, ela procurava entender, com vivacidade, que fenômeno estava ocorrendo. Há pouco, tudo se resumia em treva, umidade, calor, aconchego, proteção... Agora, tudo é novo, tudo é diferente! Um novo ambiente com luz, frio, insegurança, barulhos, e o pior, com seres gigantes, de bocas enormes abrindo e fechando vindo em sua direção com um desejo imenso de morder, de mãos largas, de faces assustadoras, falando, pegando, alisando, beijando, beliscando...Ufa! não deve ter sido fácil!
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Se o bebê pudesse responder à simples pergunta: “- Você quer nascer de novo?”, ele responderia: “- Quer mesmo que eu responda? Não!!! Basta olhar para o quanto eu choro! O que eu quero é voltar para dentro da minha mãe!”.
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Pensando nisso, em termos literários, muitos são os textos bíblicos que causam-me fascínio, entretanto, há uma passagem pela qual sinto uma especial admiração - e até mesmo espanto - toda vez que penso nela (mesmo após tantos anos ouvindo, lendo, ensinando e meditando a seu respeito):
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“Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Perguntou Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do espírito é espírito. Não te maravilhes de eu te dizer: Necessário vos é nascer de novo.” João 3: 1 a 7

. Este texto possui duas grandezas diferentes que se complementam. Uma, a sua mensagem espiritual, a realidade imaterial; a outra, a sua estrutura linguística pela qual a mensagem espiritual se revelou, isto é, a escolha do léxico, bem como dos aspectos, modos, tempos e vozes verbais empregados na língua original em que foi escrito.
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Primeiramente, muito nos chama a atenção o fato de Jesus ter surpreendido a todos com uma nova necessidade que vai além das muitas que nesta vida já experimentamos. Trata-se de um nascimento misterioso, de um “ser concebido” novamente, de um “ser trazido à luz” fantástica, assustadora e miraculosamente. Parece-nos, ainda, uma experiência que ultrapassa o dia-a-dia comum e enfadonho, uma ocorrência cientificamente inexplicável, um desafio à nossa intelectualidade e materialismo.
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E é fato, por ser um renascimento não tangível e não comprovado em laboratório, que nenhum teólogo foi ainda capaz de definir, com exatidão, o “como” se processa esse “novo nascimento”. Somos capazes de compreender um pouco sobre os “porquês”, “por quem”, “para quem”, “quando” e “onde” ocorrem seus resultados, mas o “como” se realiza o fenômeno, fica, por
enquanto, a cargo da investigação.
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Alguns poderiam afirmar que este “como” resume-se no arrepender-se do pecado e receber o perdão de Deus por intermédio de Jesus. Entretanto, parece-nos que “arrepender-se” e “receber perdão” (falando sob a ótica do Cristianismo), não entram na escala do “como”, mas, sim, na escala dos pré-requisitos, das condições antecedentes para que o “como” seja desencadeado. Parece-nos, também, que qualquer outra concepção interpretativa para o “como”, de qualquer que seja o credo existente, é produto da recorrência a elementos onde o “como” é perceptível, sem, porém, em nada explicá-lo.
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Outras milhares de ações divinas dificilmente podem ser enquadradas ao plano do conhecimento humano. Por mais que se empenhe a fim de dar precisão ao “como” o Espírito de Deus age, ainda assim, os modelos de análise ficam restritos, ou aos personagens históricos de quem somente foram relatados os resultados dessa ação divina, ou, às experiências pessoais sobre as quais nossas mentes pouco sabe explicar. Afinal de contas “...os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.”
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O próprio Jesus ensinou sobre a impossibilidade de se enquadrar o espiritual - sem que fuja pelas beiras - a uma fórmula, meio ou credo. Na continuidade do texto inicialmente transcrito está registrado que “o vento (ou espírito) sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e para onde vai; assim é todo o que é nascido do espírito.” . Do mesmo modo que não podemos colocar “regras” rigorosas para a ação do vento (que é algo natural), não temos condições de tornar “regulares” os canais por onde Deus age e nem tampouco explicar como as ações se processam; disso sobressai a nossa incapacidade de definir plenamente não só como Deus planeja, mas também, os respectivos mecanismos das suas realizações.
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Quando Deus soprou o Seu Vento Forte, o Seu Espírito sobre a Terra descansada na inércia da morte, enviou uma mensagem diferente, algo inédito, fora do comum, não explicável pelo livro das normas de “como” Deus deve agir, e por ser assim, não foi compreendido pelos “santos” da religião oficial: o NOVO NASCIMENTO.
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Não se tratava de novos hábitos, linguagem, planos ou ideais (embora pareça que estas coisas estejam envolvidas). Não se resumia a uma religiosidade ou a uma carteirinha de membro do círculo farisaico. Não é algo que possa ser limitado a uma experiência de bem-estar, de prosperidade, ou de realizações humanitárias. Não. É algo tão poderoso que capacita homens - até então à parte, marginais ao motivo de sua própria existência, imperfeitos e corrompidos -, a fazer parte de um reino incorruptível.
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Desse poder de metamorfose, porém, não foi manifestado o mecanismo de ação, isto é, mesmo aquele que já o experimentou não saberia explicar o que lhe aconteceu. Reconhece seus efeitos miraculosos, porém não é capaz de defini-los.
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E em virtude de que o sentido do “como” ocorre o novo nascimento é tão inviolável, oculto às mentes humanas, é que são propostas algumas formas de interpretação.
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E então chegamos a um ponto importante desta discussão: O que Jesus quis realmente dizer com “nascer de novo”? Ao que ele se referia?
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Verdade é que, segundo o que for mais conveniente a si mesmo, cada grupo religioso tem direcionado as interpretações dos ensinos de Cristo. A favor de suas próprias formulações , tanto protestantes, quanto católicos, espíritas, mórmons e seitas infinitas, têm, ao longo do tempo, temperado o Cristianismo bíblico com seu fermento. Uns mais, outros menos, mas poucos hodiernamente têm sido humildes para abrir os ouvidos ao que Deus realmente tem a dizer sobre as muitas coisas que compõem a verdade!
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E por assim agirem, alguns grupos chegaram a esta conclusão: Ao ensinar a Nicodemos sobre o novo nascimento, o que Jesus estava querendo revelar era a reencarnação.
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O importante aqui não é dar o veredito sobre quem está certo. O nosso objetivo é tentar aprender o que a fé apostólica diz de si mesma, o que as Escrituras intertraduz, o que Deus falou. E se você, leitor, quiser, com honestidade, abraçar as palavras de Jesus quanto ao tema em questão, aproxime-se e permaneça comigo até o final.
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Ao longo deste trabalho iremos centrar o foco de nossa pesquisa sobre o ponto de vista que aceita o renascimento, dito necessário por Cristo, como sendo a reencarnação. Isto é interessante e importante porque se estivermos errados quanto à exegese do texto bíblico não estaremos perdendo uma recuperável alimentação perdida no dia, ou um mero par de meias furadas, ou mesmo uma religião. Não! Se estivermos errados, de acordo com Jesus, não teremos acesso, em hipótese nenhuma, ao reino de Deus. É algo ligado à eternidade! Diante disso, faço minhas as palavras do Criador: “Vinde, pois, e arrazoemos...”(Isaías 1:18) sobre este tema tão atual e tão premente!
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(In: FERREIRA, Moisés Olímpio. A reencarnação de Jesus. São Paulo, 2000)