ADVERTÊNCIA

Este Blog contém algumas de minhas ideias, crenças e valores. Por não ter o objetivo de ser referência, não deve ser acolhido como "argumento de autoridade" e, muito menos, como verdade demonstrativa, cartesiana.

Aqui o leitor encontrará apenas reflexões e posições pessoais que poderão ser peneiradas e, por isso mesmo, rejeitadas ou aceitas, odiadas ou amadas. Assim, não espere encontrar fidelidade a alguma linha de pensamento ou a uma ideologia em particular. Permito-me a contradição, a incerteza, a hesitação, a descrença, a ironia; permito-me pensar.

Após as leituras, sei que uns concordarão, outros não, e haverá também os que encerrarão a visita levando uma pulga atrás da orelha. Não me importo. Se causar alguma reação, mesmo o desassossego, considero que atingi o meio. O fim fica por sua conta.

Abraços a todos e boa leitura.

PS: Acesse também: http://moisesolim1.blogspot.com.br/

sábado, 19 de dezembro de 2009

MEUS VOTOS PARA 2010

Olá pessoal, o fim do ano está próximo. Novamente vem todo aquele blá, blá, blá que nós já conhecemos de longa data. Os dentre vocês que estão no outono da idade (como eu), já ouviram muiiiiiiiitas vezes as mesmas coisas e, certamente, alguns já desacreditaram do que sempre estão ouvindo. Junto com o blá, blá, blá de sempre, recebemos aquela ilusória ideia de que no ano seguinte tudo será novo, como se meia noite do dia 31 de dezembro fosse a última página do epilogo de uma narração e o 1o. de janeiro fosse a primeira página de um novo livro a ser lido, ou melhor, a ser escrito. Uma ilusão criada por nós (porque os astros giram sempre da mesma forma há milhares de anos e nem se dão conta de que nós criamos a ideia terrestre de "tempo" a partir desse movimento), porque o dia 1o. é continuação do dia 31 e, mais, é continuação dos 365 dias anteriores e, mais, dos muitos (ou poucos) anos que o antecederam. Enfim, o dia primeiro de janeiro é exatamente o resultado de todas as nossas escolhas feitas durante os dias e anos que já se foram antes dele!

Isso me faz pensar sobre o poder das escolhas, sobre o poder que temos para refletir e optar. E quantas vezes fizemos a pior escolha! Seja em razão da não-razão, seja em razão da razão, seja em razão da razão sem coração, seja em razão de coração sem razão etc. Vejam o caso de Maria e Marta. Ambas com boas intenções. Quem dentre nós diria, se o texto não tivesse dito, que Marta fez uma má escolha? Acho que eu me sentiria muito bem por preparar um bom almoço para Jesus que estava me visitando! Era o que Marta estava fazendo. Sob o ponto de vista de Cristo, porém, embora não fosse a pior, não era a melhor escolha para aquele momento.

Na vida somos assim frequentemente. Somos "Martas" (e pelo amor de Deus, não a ex-prefeita, embora ela mesma seja também uma Marta), e corremos para um lado e para o outro, até com boas intenções, mas fazendo más escolhas (ou não as melhores) o todo tempo. O resultado de todo aquele trabalho seria uma boa comida para o mestre; sua preocupação nisso era tal que exigia a presença de Maria para que tudo saísse com desejava! Mas a finalidade desse trabalho fatigante e ansioso terminaria quando a barriga estivesse cheia, e só. Mais tarde, tudo recomeçaria porque a fome voltaria a existir e todo um novo esforço seria necessário. Uma roda gigante e viciante que gira todo mundo com ela, que nos deixa tontos, que turva a nossa visão, que não permite ver com clareza e fazer as melhores escolhas; às vezes parece que vemos algo, mas o girar da roda faz com que o mundo fique de ponta cabeça e as muitas imagens diferentes sucessivas nos tornam incapazes.

Não é assim a cada fim de ano? Procuramos algo para que possamos justificar o que fizemos e o que não fizemos; lançamos sobre fatos irrisórios e bestiais um valor enorme apenas para que não nos sintamos tão impotentes e insatisfeitos. Depois de toda correria do ano, vem o comer (festividades), o momento da mesa farta, que termina numa satisfação insignificante e que, pela sua crueldade, nos assujeita a um novo esforço inevitável para atingir a mesma insatisfação no próximo fim de ano e assim vai... Os nossos desejos de bom ano, de saúde, de paz, de alegria, de dinheiro... todos os nossos desejos estão dirigidos nesse alvo: chegar ao fim ano e lá atingir uma satisfação (que no percurso parece boa e não percebemos o fim) insignificante; se hipoteticamente tivéssemos alcançado todos os nossos desejos, paradoxalmente estaríamos tão insatisfeitos quanto aqueles que não os atingiram!!! A roda gigante do mundo é tão poderosa que há velhos que ainda não perceberam que tudo não passa de uma ilusão de ótica, que todas as aspirações humanas e suas exigências de realização, são fortes grilhões espirituais. Os pobres se esforçam muito para que tenham algo, os ricos, menos. Os primeiros querem ter porque acreditam que tendo serão felizes, os outros, por terem, acreditam que estão no bom caminho. Uns e outros, iludidos pelas múltiplas imagens rápidas e confusas, estão agarrados numa mesma barra de "proteção" e sentem, com muita intensidade, a mesma insatisfação a cada ano.

Se alguém está fora disso, acham-no estranho, fora do ninho, fora da realidade, fora do mundo e da sociedade: "Diga-lhe, pois, que me ajude!", foi o pedido de Marta que queria que Maria fosse como ela, que Maria não fosse diferente, que Maria estivesse tão preocupada e agitada como ela estava; ela não acreditava que Maria pudesse estar fora do padrão! Como é que alguém podia ficar "sentada aos pés de Jesus" enquanto outro se mata trabalhando para o "bem"? E por se estar preso a esse sistema escravizador, não é estranha a pergunta "Senhor, não te importas que a minha irmã me deixe servir sozinha?" (Fico imagindo o que Jesus deve ter pensado, a imagem de seu rosto, os movimentos da boca, dos olhos, do nariz... preparando-se para responder-lhe).Os pobres farão votos de trabalhar bastante para conseguir algo melhor (daí, querem saúde, paz, alegria e dinheiro), os ricos desejarão ganhar mais para que estejam satisfeitos no dezembro seguinte (daí, os mesmos votos); se uns e outros obtiverem sucesso, a insatisfação, porém, continuará sendo a mesma:

"Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada em torno de muitas coisas!"

O poder de escolher faz parte da nossa natureza. A sua negação é usurpar da criação divina as qualidades que lhe foram outorgadas por seu criador Assim, a nossa condição é produto de nossas escolhas (emocionais, espirituais etc) durante a nossa existência; em certo sentido, não dá para colhermos o que não plantamos e, em todos os sentidos, não dá para plantarmos o que não temos. Um novo ano não significa um novo livro, nem nova história se os nossos objetivos continuarem a ser os mesmos, se os nossos grãos forem da mesma espécie.

Os meus desejos são os mesmos de sempre, mas agora com um novo objetivo: ouvir de Deus as palavras


Você "escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada"

GRANDE abraço do

Moisés

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O vento sopra frio sobre a folha
Que se agita freneticamente para lá e cá;
Amarelavermelhada, agarra-se ao galho o quanto pode,
Algumas acham, imaginem, que talvez possam ficar!
.
Antes, vibrava sua verdiduração,
Orgulhava-se da seiva que bebia e em nada sentia brevidade;
Antes ainda, quando pequenina, na inocência, nos projetos, nas vontades...
Cegada pelo novo e pela imaginação, só pensava em ser madura,desejada ainda mais
pelas flores e frutos que poderia enfeitar.
.
Depois, porém, resistiria à força do que naturalmente é?
Tudo e nada são a mesma coisa, nada e tudo estão reunidas no mesmo ser.
Embebecida pelo tempo sob o vento que não cessa de insistir
Finalmente do galho seco, roxa de frio, morta de vida, caí.
(44 anos - fim de outono - M.O. Ferreira)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Jó 14.7 – A ANGÚSTIA DA BREVIDADE DA VIDA.

O capítulo 14 é uma meditação sobre a brevidade da vida:
v.1: o homem vive breve tempo.
v.2: a sua vida é como uma flor que murcha; é como uma sombra.
v.5: Os dias dos homens são contados; ele está limitado ao tempo imposto por Deus.
v.4: Jó diz que esse ser é fútil e impuro. É possível encontrar pureza nesse homem? Não!
v.3: Jó diz que é com tal ser, finito e mortal, que Deus entra em juízo.
v.6: Essa limitação ainda é submetida ao juízo divino. Os olhos de Deus sobre a pecaminosidade humana provoca sofrimento, medo e angústia.



Nos versos 7 a 9, Jó afirma que os elementos da natureza tem mais vida que o homem. As árvores se renovam, dão seus rebentos, são rejuvenescidas pelas águas; o homem , por sua vez, morre, expira e desaparece (v.10); ele deita e não se levanta, morre e não mais acorda (v.12).

No capítulo todo, Jó afirma que o homem volta ao pó. Como um monte que se desfaz pela força das águas, assim é a esperança do homem. Ele passa, é despedido para o além.

A angústia é um elemento fundamental da existência humana. O medo tem em seu poder grandes e pequenos, sacerdotes e leigos, e não poupa ninguém durante o período que vai desde o nascimento até a sepultura.

“O medo outra coisa não é senão o abandono dos recursos da reflexão; e quando a esperança se extingue na alma, o desespero e perplexidade são sentidos como um mal maior do que a causa real do tormento” (Balthasar).

Esse mal atinge tanto os bons quanto os maus, tanto os convertidos a Deus como os que lhe voltam as costas.

“A angústia age de duas maneiras: desespera da possibilidade de um socorro, e aumenta o sofrimento não permitindo ao lado deste desespero nenhuma reflexão, nenhum raciocínio sobre a causa da angústia; tudo é medo cego, que, além das dores atuais, imagina infinitas outras como possíveis, e mesmo como certas” (Loch e Reischl).

Jó, em seu sofrimento, alcança o ápice do sofrimento, da angústia.

A Palavra de Deus manifesta um particular e curioso interesse pela angústia do homem e da criatura em geral.

Assim, tal pensamento precisa ser complementado por direcionamentos da própria Bíblia: EXISTE UMA DIFERENÇA ENTRE DUAS CATEGORIAS, ENTRE OS HOMENS VOLTADOS PARA DEUS E OS QUE DELE SE AFASTAM.

Assim, os maus, por um lado, fogem sempre da luz do Deus que os vê, de modo que a própria luz se torna para eles motivo de medo:

“...de dia se conservam encerrados, nada querem com a luz, pois a manhã para todos eles é como sombra de morte; mas os terrores da noite lhes são familiares.” Jó 24. 16-17

O pecado contra Deus os faz temer até mesmo do nada, do que não é real:

“Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga...” Provérbios 28:1

Por outro lado, os bons

“Perante a angústia dos maus, existe para os bons antes de mais nada, um forte, categórico não, uma absoluta proibição de a conhecer, de se deixar prender por ela.” (Balthasar)

Ter medo equivale a não crer nestas promessas:

“Não temais a que esses temem e não vos apavoreis.” (Isaías 8:12)

“Não temas, porque eu sou contigo: não te assombres, porque eu sou o teu Deus...” (Isaías 41:10)

“Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu..” (Isaías 43:1)

“O Senhor está comigo, por isso não tenho medo: que me poderiam fazer os homens?” (Salmo 118.6)

Em Deus, a própria noite não tem nada de terrível para os bons:

“Deitado, não deves ter medo. Repousando, o teu sono será doce. Não temerás nem o terror repentino nem os ataques dos criminosos.” Provérbios 3:24-25

O rigoroso mandamento da fé e estrita proibição de ter medo são uma e a mesma coisa.

Cristo sobre a cruz, levou sobre si TODA A ANGÚSTIA humana de modo que estar feliz no meio das contrariedades, nos exteriores e objetivos apertos é algo possível.

Cristo carregou a angústia do mundo para dar-lhe em troca o que tem de seu, a sua alegria, a sua paz. Toda graça provém da cruz; toda alegria é alegria da cruz de Cristo.

“Efetivamente, o milagre da confiança cristã em Cristo e na cruz redentora é qualquer coisa de tão delicado, compreensível e crível unicamente de um ponto de vista sobrenatural, que basta o menor sopro para este espelho límpido seja embaciado pela angústia.” (Balthasar)

Os temores não devem assolar a vida do cristão. A vitória de Cristo é total, e dela não está excluído nem “o último inimigo a ser destruído”, ou seja, a morte (2 Cor. 15:26)

A angústia é afastada e superada de uma vez para sempre. E aquele que pertence a Cristo e vive na fé de não ter medo.

“A paz de Deus que excede todo entendimento guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” Fl. 4:7

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O bom cultor de emoções é aquele que reconhece que as colheitas passadas não servem para o presente, e que sabe tornar esterco os restos de lembranças a fim de adubar a nova experiência.
(M.O. Ferreira)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Viver é não ter chão firme sob os pés; é andar sobre as águas ou voar em grande altura, sem nunca ter em que ou em quem se segurar. Ou vivemos sob o temor da inevitável, ou nos maravilhamos pelo milagre. Fora disso, não há outra coisa.
(M.O. Ferreira)

domingo, 16 de agosto de 2009

DOR...

A dor somente é [e TALVEZ apenas seja] capaz de ensinar algo positivo àquele que não a evitou ou que dela conscientemente fez pouco caso. Nas outras situações, ela será injusta e, por extensão, inútil para o bem.
(M.O. Ferreira)

O MISTÉRIO DE DEUS (O ETERNO PROPÓSITO DE DEUS EM CRISTO)


PEDIDOS: moisesolim@bol.com.br



Em suas epístolas, o que Paulo claramente ensinou é que o Pai estabeleceu o bom juízo da Sua vontade em tempos eternos। Em Romanos 8.29, está escrito que aqueles que Deus "conheceu antes", Ele os "pôs à parte de antemão" para Si mesmo.

Surge em nossas mentes a questão: antes do quê Ele os conheceu e os separou para Si?

Certamente antes do estabelecimento do mundo, do tempo humano, da Criação, e, por isso mesmo, antes de Adão e da queda. Em I Coríntios 2.7, Paulo escreve: “...falamos a sabedoria de Deus...a qual Deus separou de antemão antes das eras para a nossa glória”. Em Seu tempo, o pecado não influenciou e nem foi a causa de Seus planos. Assim, a ação de pôr à parte de antemão e tantas outras ações divinas estão em função da Sua vontade eterna e não da queda ou de obras humanas. Dessa forma, embora a escolha seja elemento essencial, é apenas inicial; ela não é um fim em si mesma, é um dos meios através do qual o Pai estabelecerá a plenitude do Seu Propósito. A ação de pôr à parte foi feita segundo Ele mesmo decretou para Seus próprios fins, pois fomos “...separados de antemão segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.” . A eleição, portanto, deve ser compreendida a partir da complexidade das diversas outras ações que Ele já fez para a finalidade que planejou e não como a totalidade da Sua Vontade e, para compreender isso, deve-se partir do Seu tempo.

Ao observarmos o desejo do Pai a partir da eternidade podemos chegar a lugares diferentes daqueles em que outros já fincaram suas bandeiras. Em Deus não estava incluída a queda do homem de modo que este não estava determinado ao pecado. Deus o criou nas condições que o havia projetado em Sua mente. Dessa forma, se não tivesse ocorrido a desobediência, não haveria a necessidade do plano da Redenção ou da cruz histórica. A Redenção se fez necessária porque houve o desvio humano do alvo estabelecido e não porque ela já estivesse no Plano Divino original como se Deus houvesse determinado a queda adâmica.

Marcos , falando dos sofrimentos que o Mestre haveria de passar, diz que tudo ocorreria a partir do “é preciso” divino; o Pai realizaria Seu plano mas, agora, para isso, a morte do Filho era necessária. Desse modo, “...o Filho do Homem está sendo entregue às mãos dos homens e o matarão...” . O “é preciso” divino está inteiramente ligado ao sentido da expressão verbal na voz passiva “sendo entregue”. Por ser necessário à magnitude do objetivo do Deus-Triúno, o Filho foi entregue à morte pelo Pai: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus...” . E mais ainda, Ele “...deu-se a si mesmo...” segundo o Supremo Desígnio. Tudo ocorreu de acordo com o que profeticamente foi dito pelas Escrituras Sagradas, de modo que a Sua morte foi um ato totalmente divino.

Apesar da necessária Redenção, os sofrimentos de Cristo não foram concretizados nos tempos eternos. Lucas registra uma oração dos crentes da igreja primitiva: “...porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito antes fixaram” . Os sofrimentos, embora estabelecidos pelo propósito divino, não foram preordenados antes da fundação do mundo. Devemos tomar a precaução de não entender indevidamente o verbo grego "proorídzo" como terminus technicus localizando sua realização na eternidade a cada ocorrência nas Escrituras. A morte substitutiva estava delimitada, separada, posta à parte no sentido de que o Pai já a havia estabelecido muito antes de sua realização na História.

O livro do Apocalipse diz que o Cordeiro foi morto, não na eternidade, não desde a eternidade, não antes da fundação do mundo, mas "..DESDE a fundação do mundo” . No Seu Projeto, a marca do pecado não estava presente e a cruz histórica era desnecessária. Pela presciência divina, face ao pecado, a Redenção foi incorporada ao Grande Projeto. O Pai entregou Seu Filho à morte para que, resgatando Sua propriedade, Sua Vontade Eterna alcançasse cumprimento. A queda de Adão, aos olhos humanos, tem a aparência de um empecilho ao desenvolvimento de Seu Desejo, mas Ele não foi surpreendido e, em Seu conselho, para solucionar o desvio, incorporou a Redenção ao Plano original.

O bom juízo da Sua vontade permaneceu no Pai durante tempos indetermináveis. Não se pode definir, na eternidade, quando foi que o Projeto começou a ser pensado e quando ficou totalmente definido. Paulo usa a palavra mistério para tratar o que foi-lhe revelado a respeito desse assunto:“...conforme a revelação do mistério ... que, agora, se tornou manifesto...” . Só na carta aos Efésios, o apóstolo usa seis vezes tal vocábulo: “...desvendando-nos o mistério da sua vontade...”(1.9), “me foi dado conhecer o mistério conforme escrevi há pouco...” (3.3), “...podeis compreender o meu discernimento no mistério de Cristo...” (3.4), “...e manifestar qual seja a economia do mistério...” (3.9), “Grande é este mistério...” (5.32); “para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho...” (6.19). Ainda diz: “...falamos a sabedoria de Deus em mistério...” . É preciso esclarecer que o termo mistério não tem o sentido comum de enigma, mas de algo ainda não revelado, de algo desconhecido pelas gerações anteriores.
Ao uso insistente do termo, o apóstolo acrescenta que tal mistério era um segredo de Deus oculto nEle mesmo durante o tempo da eternidade: “...desde os séculos, oculto em Deus...” ; “...guardado em silêncio pelos tempos eternos...” ; “...o qual em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado...” ; “...mas falamos a sabedoria de Deus... oculta...”.

Você deve estar pensando: O que pode ser tal mistério? Seria possível compreendê-lo? A epístola paulina aos Colossenses diz:

...o mistério escondido dos séculos e das gerações foi, agora, foi manifestado aos seus santos, aos quais Deus quis dar a conhecer quanto à riqueza da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória...

Qual é, portanto, tal mistério? A resposta concentrada de Paulo é: Cristo revelado entre e nos homens (judeus e gentios) com as diversas implicações que disso resultam। Mas não sejamos simplistas। Estaria o apóstolo afirmando que o segredo era a Sua vinda ao mundo e que a bênção espiritual seria estendida aos gentios? Se a resposta for apenas isso - embora tais fatos estejam incluídos nela - certamente o segredo não foi muito bem guardado. Afinal de contas, os profetas do Antigo Testamento já haviam prenunciado a vinda do Messias, do Ungido, do Cristo. Há uma quantidade enorme de detalhes profetizados sobre a vinda e sobre a vida de Jesus, de modo que não podemos considerar isso como um mistério guardado em segredo. As próprias boas-novas da salvação pela fé não é um bem restrito à era cristã. Falando do povo desobediente de Israel, o escritor aos Hebreus lembra que “...a nós também foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé... por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas-novas.” Deste modo, não se pode entender o mistério de Cristo como sendo apenas a Sua vinda histórica a fim de realizar o sacrifício exigido para remissão dos pecadores pela fé; na verdade, embora a manifestação do homem Jesus seja parte fundamental da Vontade Eterna que não sofreu mutação - “...o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” -, não é a totalidade dela. Os objetivos de Deus com a vinda de Seu Filho Eterno são muito maiores do que os nossos olhos enxergam; devemos vê-la dentro do que ela representa no todo do Seu querer antigamente velado e não a partir do que ela proporcionou para nós. Paulo escreve: “Suplicai...para que Deus nos abra a porta da palavra, para falarmos o mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado...”. A expressão mistério de Cristo refere-se à intenção Paterna cuja pessoa central é o Filho. O apóstolo está falando sobre mistério que há de ser concretizado por meio do e no Filho.

Corroborando com o capítulo primeiro (1.27), firmes e explicativas são as palavras de Paulo aos Colossenses:

...para que... eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus: Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

O mistério guardado secretamente em Deus era Cristo. Mas como assim?

No Grande Plano, Cristo é o centro. O Projeto é Cristocêntrico. Tudo o que se deu e que se dará terá como núcleo a pessoa de Cristo, o Eleito Eterno do Pai; Ele é o realizador e o centralizador de tudo. (“...Este é o meu Filho, o eleito... A forma verbal no original grego é e)klelegme/noj que indica uma eleição continuamente definitiva: Jesus foi, é e sempre será o Eleito de Deus, o Filho Eterno Eleito do Pai.). É evidente que não se trata de uma escolha para salvação; Jesus é o autor da Salvação de modo que dela não necessita. Sua eleição se dá sob o âmbito posicional e é por isso que Ele é o “...o primogênito de toda a criação...” , “...o primogênito de entre os mortos...” ; “...o primogênito entre muitos irmãos...” . A primogênitura refere-se aos Seus direitos, à Sua posição preeminente sobre tudo e todos. No coração do Pai, em Seu bom Conselho, Seu Filho Primogênito terá toda a primazia. O apóstolo Paulo afirma: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém” . O pronome ele refere-se à pessoa de Jesus conforme podemos ainda verificar em: “Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste.” . Tudo há de convergir na Pessoa de Cristo: toda a Criação, todos os poderes, todas as instâncias de autoridade se curvarão diante dEle. O Pai assim projetou e assim será: “Vi e ouvi uma voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos... proclamando em grande voz: digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor. Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” . Cristo é o cabeça de todo principado e potestade . NEle foram depositadas todas as esferas do Projeto do Pai. Ele tem primazia porque Ele é o Seu Filho Amado.

Se apenas examinarmos os primeiros versículos da epístola aos Efésios já poderemos notar como o apóstolo eleva o Filho e O coloca acima de tudo e de todos, exceto do Pai: Deus é o Pai de Cristo (1.3); nos abençoou nEle (1.3); nos escolheu nEle (1.4); nos predeterminou para a adoção de filhos por meio dEle (1.5); nos concedeu a sua graça nEle (1.6); nEle temos a Redenção pelo seu sangue (1.7); o Pai revelou-nos o mistério da Sua vontade que estabeleceu em Seu Filho (1.9); nEle o Pai planejou convergir todas as coisas (1.10); nEle fomos feitos herança (1.11); a esperança é nEle (1.12); nEle fomos selados com o Espírito Santo da promessa (1.13); Ele é o cabeça da Igreja (4.15). Assim, “nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.” . Entretanto, Ele mesmo, submisso ao Pai, vivendo para agradá-Lo, “...também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”.

No tempo determinado, Deus há de convergir em Seu Filho todas as coisas. Quando a plenitude dos tempos for alcançada, tudo o que há e o que haverá de ser se curvarão diante do Filho: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus é Senhor, para glória de Deus Pai.” . Arcanjos, querubins e anjos; homens, mulheres e crianças; velhos e jovens; chefes de Estado e o simples cidadão; o rico e o pobre; Satanás e seus demônios, todos se curvarão diante do Ungido do Pai e se submeterão ao Seu senhorio. O Pai O constituiu “...herdeiro de todas as coisas...”.

É notório que o Grande Projeto Eterno resume-se na pessoa de Jesus. Portanto, não foi simplista ou equivocada a afirmação de Paulo ao dizer: “...o mistério de Deus: Cristo”. Ele é a exata revelação do Pai, é a manifestação da Sua Intenção e da Sua Vontade ocultas. Foi o Evangelho de Cristo que as revelou aos homens e aos poderes do mundo espiritual. Quando escreve a Tito, Paulo diz-lhe que estamos vivendo na esperança da vida eterna prometida “...diante dos tempos eternos...” a qual “...em tempos próprios...” foi revelada pela pregação do Evangelho de Cristo.

O Filho Eterno despiu-se da Sua majestade divina e armou a Sua tenda entre os homens a fim de trazer à luz aquilo que estava guardado no coração do Pai. O apóstolo dos gentios, ao ensinar seu filho na fé, lembra-lhe que a “ ...graça...nos foi dada em Cristo Jesus diante dos tempos eternos, e que agora foi manifestada pelo aparecimento do nosso Salvador Cristo Jesus. ” . A Sua vinda promoveu o desvendamento da Soberana Vontade, sendo o Filho a peça central de todo o Projeto. A graça de Deus foi derramada entre os humanos através de Jesus pois Ele nasceu entre nós "...pleno de graça...” do Pai. Embora tal graça, por causa do pecado, tenha sido manifestada aos olhos dos homens através da Redenção efetivamente concretizada na cruz histórica, ela estava presente nos tempos eternos mesmo se a queda jamais tivesse acontecido, isto é, na era em que a morte do Filho não fazia parte da Vontade Eterna. Antes de toda Criação, o Pai, em graça, já havia estabelecido em Seu Projeto que a Sua Vontade se manifestaria entre os homens por intermédio de Jesus. É certo que fomos resgatados imerecidamente por preço de sangue (“...pela graça sois salvos...” ), mas se o pecado adâmico não tivesse sido inserido no mundo, ainda assim careceríamos dessa mesma graça para tornarmo-nos filhos de Deus, precisaríamos dela a fim de que o homem natural fosse revestido do espiritual; sem ela, permaneceríamos na condição de alma vivente. Sem a graça por intermédio de Cristo jamais a filiação teria ocorrido porque é nEle que “...fomos também feitos herança....” .Sem o pecado, o Filho Eterno, em forma humana, se manifestaria para que o homem, alimentando-se de Sua carne e bebendo de Seu sangue, obtivesse a vida eterna ; trata-se da vida que só Deus tem; não um fôlego presente em toda a Criação, mas a vida pertencente à natureza divina. O ser humano se apropriaria da Sua Pessoa e, através do nascimento do alto (a)/nwqen ), da autoridade de se tornar filho de Deus. Dessa forma, as palavras do apóstolo ficam mais significativas: a “...graça...nos foi dada em Cristo Jesus diante dos tempos eternos...”.

Entretanto, marcados pelo pecado, os homens se afastaram do plano original de Deus. Afetados pelo pecado, para conduzi-los de volta ao caminho, o Pai determinou a cruz que nos trouxe a graça salvífica. Por meio dela, o homem é recuperado de sua queda e, pelo nascimento espiritual, filiado ao Pai. À humanidade caída não foram dadas duas opções: Somente a cruz de Seu Filho é capaz de salvar. Como todas as coisas devem convergir em Cristo, a Redenção, incorporada ao Grande Todo, também tende a um mesmo fim: Cristo. Fora dEle não há salvação; as obras não salvam porque alteram o centro: “porque pela graça estais salvos, mediante a fé... não de obras para que ninguém se glorie.” . Outros mestres, por melhores que sejam, ou qualquer instituição religiosa que exista, não estão autorizados a serem o caminho para Deus porque o Filho é o Caminho: “Não há salvação em nenhum outro...” . Em qualquer época, só Jesus salva - seja pela fé nAquele que haveria de vir ou pela fé nAquele que já veio -, porque assim o Pai decretou.

Quando o homem submete-se à autoridade de Cristo, ele está se curvando à Vontade Eterna. Toda insubordinação, insurreição, incredulidade ou dureza de coração afasta-nos dEle. Todo mecanismo de salvação diferente da obediência a Cristo é perda de tempo. Toda altivez contra o conhecimento de Deus deve ser vencida e aniquilada; todo o pensamento deve ser levado cativo, submisso à obediência de Cristo . Por sua vez, quando os homens rejeitam a salvação ofertada por Deus em Seu Filho, eles se constituem inimigos da cruz (inimigos da única forma de acesso a Deus) e, apesar de possuírem grandes qualidades, “...o destino deles é a perdição...”

Estar em Cristo é a condição que as Escrituras consideram essencial para ser participante do Grande Projeto: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós (...) Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora..” ; “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus...” .

Quando alguém se aproxima dEle pela fé e O recebe em sua vida, ele nasce do alto, do céu, de Deus. Deus Espírito começa a habitar nesse corpo ainda mortal (mas que agora vive na esperança da plenitude da vida eterna) fazendo-o experimentar os bens do mundo vindouro, do mundo ainda a ser revelado. Dessa forma, ele deixou de ser um homem distanciado de Deus pois recebeu perdão e justificação; ele não vive mais sob a condenação do pecado, mas sob a Graça. Pela fé nAquele que levou seus pecados à sepultura, ele agora tem paz com Deus.

O acesso ao Pai está liberado. O homem, tendo sido redirecionado, tem diante de si a porta que estava fechada por causa do desvio cometido. O caminho obstruído pelo pecado foi liberado por Cristo. Quem crê no Filho Eterno, entra na presença do Pai. Quem disso se apropriar, pertencerá a um novo sistema coordenado: a Igreja de Seu Filho.

Por que aquele que deixa o modo de viver decaído herdado de Adão pertencerá à Igreja? Porque Deus estabeleceu em Sua soberania, desde a eternidade, que a Igreja teria um papel de extrema importância para Ele; é através dela que o Pai realizará seu plano antes oculto aos homens. Não estamos falando de denominação ou de conceitos religiosos. Nada disso. Quando usamos o termo Igreja, estamos nos referindo ao corpo de autênticos cristãos que estão espalhados no mundo inteiro; referimo-nos a todos aqueles que pela fé fazem parte do Propósito de Deus.

Paulo percebeu tal importância. Só em sua epístola aos Efésios, ele faz nove menções a ela:
1.22 – “E pôs todas as cousas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as cousas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo...”;
3.10 – “...para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida...”;
3.21 – “...a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus...”;
5.23,24,25 – “...como também Cristo é o cabeça da Igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela.”;
5.27 – “...para apresentar a si mesmo Igreja gloriosa...”;
5.29 – “Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a Igreja.”;
5.32 – “Grande é o mistério, mas eu me refiro a Cristo e à Igreja.”
A cada capítulo que percorremos, podemos perceber que sua mente e coração estavam fitos em Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) e em como a Igreja participa do Seu querer.

Enfim, quais são os objetivos das ações do Pai, a que lugar deseja chegar? Qual a Sua intenção em eleger e predeterminar? Há em Seu coração algum projeto com os homens? Paulo diz que sim e que tais respostas poderão ser encontradas na Igreja.

(Fonte: FERREIRA, Moisés Olímpio. O mistério de Deus. O eterno propósito de Deus em Cristo. São Paulo: 2003, cap. 1.)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A REENCARNAÇÃO DE JESUS


INTRODUÇÃO

É por demais impressionante como os seres humanos são atingidos, de modo tão profundo, por fatos que ocorrem em suas vidas! Todos têm algo no sótão da mente e na sede das emoções que produz suspiros de saudade, lágrimas de alegria ou mesmo sentimentos que apertam o coração pelo imenso oceano da lembrança.
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O nascimento da minha primeira filha foi algo tão marcante na minha vida, que ainda consigo formar a imagem da enfermeira tirando-a da sala de cirurgia e trazendo-a em seus braços pelo corredor até o local onde eu estava. Isso aconteceu há muitos anos, mas ainda consegue fazer emergir a mesma emoção.
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Com os seus pequenos olhos bem abertos, ela procurava entender, com vivacidade, que fenômeno estava ocorrendo. Há pouco, tudo se resumia em treva, umidade, calor, aconchego, proteção... Agora, tudo é novo, tudo é diferente! Um novo ambiente com luz, frio, insegurança, barulhos, e o pior, com seres gigantes, de bocas enormes abrindo e fechando vindo em sua direção com um desejo imenso de morder, de mãos largas, de faces assustadoras, falando, pegando, alisando, beijando, beliscando...Ufa! não deve ter sido fácil!
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Se o bebê pudesse responder à simples pergunta: “- Você quer nascer de novo?”, ele responderia: “- Quer mesmo que eu responda? Não!!! Basta olhar para o quanto eu choro! O que eu quero é voltar para dentro da minha mãe!”.
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Pensando nisso, em termos literários, muitos são os textos bíblicos que causam-me fascínio, entretanto, há uma passagem pela qual sinto uma especial admiração - e até mesmo espanto - toda vez que penso nela (mesmo após tantos anos ouvindo, lendo, ensinando e meditando a seu respeito):
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“Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele. Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo não pode ver o reino de Deus. Perguntou Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer? Jesus respondeu: em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do espírito é espírito. Não te maravilhes de eu te dizer: Necessário vos é nascer de novo.” João 3: 1 a 7

. Este texto possui duas grandezas diferentes que se complementam. Uma, a sua mensagem espiritual, a realidade imaterial; a outra, a sua estrutura linguística pela qual a mensagem espiritual se revelou, isto é, a escolha do léxico, bem como dos aspectos, modos, tempos e vozes verbais empregados na língua original em que foi escrito.
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Primeiramente, muito nos chama a atenção o fato de Jesus ter surpreendido a todos com uma nova necessidade que vai além das muitas que nesta vida já experimentamos. Trata-se de um nascimento misterioso, de um “ser concebido” novamente, de um “ser trazido à luz” fantástica, assustadora e miraculosamente. Parece-nos, ainda, uma experiência que ultrapassa o dia-a-dia comum e enfadonho, uma ocorrência cientificamente inexplicável, um desafio à nossa intelectualidade e materialismo.
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E é fato, por ser um renascimento não tangível e não comprovado em laboratório, que nenhum teólogo foi ainda capaz de definir, com exatidão, o “como” se processa esse “novo nascimento”. Somos capazes de compreender um pouco sobre os “porquês”, “por quem”, “para quem”, “quando” e “onde” ocorrem seus resultados, mas o “como” se realiza o fenômeno, fica, por
enquanto, a cargo da investigação.
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Alguns poderiam afirmar que este “como” resume-se no arrepender-se do pecado e receber o perdão de Deus por intermédio de Jesus. Entretanto, parece-nos que “arrepender-se” e “receber perdão” (falando sob a ótica do Cristianismo), não entram na escala do “como”, mas, sim, na escala dos pré-requisitos, das condições antecedentes para que o “como” seja desencadeado. Parece-nos, também, que qualquer outra concepção interpretativa para o “como”, de qualquer que seja o credo existente, é produto da recorrência a elementos onde o “como” é perceptível, sem, porém, em nada explicá-lo.
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Outras milhares de ações divinas dificilmente podem ser enquadradas ao plano do conhecimento humano. Por mais que se empenhe a fim de dar precisão ao “como” o Espírito de Deus age, ainda assim, os modelos de análise ficam restritos, ou aos personagens históricos de quem somente foram relatados os resultados dessa ação divina, ou, às experiências pessoais sobre as quais nossas mentes pouco sabe explicar. Afinal de contas “...os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.”
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O próprio Jesus ensinou sobre a impossibilidade de se enquadrar o espiritual - sem que fuja pelas beiras - a uma fórmula, meio ou credo. Na continuidade do texto inicialmente transcrito está registrado que “o vento (ou espírito) sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem e para onde vai; assim é todo o que é nascido do espírito.” . Do mesmo modo que não podemos colocar “regras” rigorosas para a ação do vento (que é algo natural), não temos condições de tornar “regulares” os canais por onde Deus age e nem tampouco explicar como as ações se processam; disso sobressai a nossa incapacidade de definir plenamente não só como Deus planeja, mas também, os respectivos mecanismos das suas realizações.
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Quando Deus soprou o Seu Vento Forte, o Seu Espírito sobre a Terra descansada na inércia da morte, enviou uma mensagem diferente, algo inédito, fora do comum, não explicável pelo livro das normas de “como” Deus deve agir, e por ser assim, não foi compreendido pelos “santos” da religião oficial: o NOVO NASCIMENTO.
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Não se tratava de novos hábitos, linguagem, planos ou ideais (embora pareça que estas coisas estejam envolvidas). Não se resumia a uma religiosidade ou a uma carteirinha de membro do círculo farisaico. Não é algo que possa ser limitado a uma experiência de bem-estar, de prosperidade, ou de realizações humanitárias. Não. É algo tão poderoso que capacita homens - até então à parte, marginais ao motivo de sua própria existência, imperfeitos e corrompidos -, a fazer parte de um reino incorruptível.
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Desse poder de metamorfose, porém, não foi manifestado o mecanismo de ação, isto é, mesmo aquele que já o experimentou não saberia explicar o que lhe aconteceu. Reconhece seus efeitos miraculosos, porém não é capaz de defini-los.
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E em virtude de que o sentido do “como” ocorre o novo nascimento é tão inviolável, oculto às mentes humanas, é que são propostas algumas formas de interpretação.
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E então chegamos a um ponto importante desta discussão: O que Jesus quis realmente dizer com “nascer de novo”? Ao que ele se referia?
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Verdade é que, segundo o que for mais conveniente a si mesmo, cada grupo religioso tem direcionado as interpretações dos ensinos de Cristo. A favor de suas próprias formulações , tanto protestantes, quanto católicos, espíritas, mórmons e seitas infinitas, têm, ao longo do tempo, temperado o Cristianismo bíblico com seu fermento. Uns mais, outros menos, mas poucos hodiernamente têm sido humildes para abrir os ouvidos ao que Deus realmente tem a dizer sobre as muitas coisas que compõem a verdade!
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E por assim agirem, alguns grupos chegaram a esta conclusão: Ao ensinar a Nicodemos sobre o novo nascimento, o que Jesus estava querendo revelar era a reencarnação.
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O importante aqui não é dar o veredito sobre quem está certo. O nosso objetivo é tentar aprender o que a fé apostólica diz de si mesma, o que as Escrituras intertraduz, o que Deus falou. E se você, leitor, quiser, com honestidade, abraçar as palavras de Jesus quanto ao tema em questão, aproxime-se e permaneça comigo até o final.
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Ao longo deste trabalho iremos centrar o foco de nossa pesquisa sobre o ponto de vista que aceita o renascimento, dito necessário por Cristo, como sendo a reencarnação. Isto é interessante e importante porque se estivermos errados quanto à exegese do texto bíblico não estaremos perdendo uma recuperável alimentação perdida no dia, ou um mero par de meias furadas, ou mesmo uma religião. Não! Se estivermos errados, de acordo com Jesus, não teremos acesso, em hipótese nenhuma, ao reino de Deus. É algo ligado à eternidade! Diante disso, faço minhas as palavras do Criador: “Vinde, pois, e arrazoemos...”(Isaías 1:18) sobre este tema tão atual e tão premente!
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(In: FERREIRA, Moisés Olímpio. A reencarnação de Jesus. São Paulo, 2000)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

FELIZ PÁSCOA

Aos meus colegas, amigos, alunos, professores, irmãos, envio meus votos de "feliz páscoa".

Páscoa nos lembra liberdade; a tão almejada liberdade! Liberdade para escolher o bem, afastando-nos do mal (afinal de contas, para o fazer o que é contrário ao bem não precisamos ser livres, fazemo-lo naturalmente); liberdade para pensar e viver o que é bom, para usufruir toda dádiva imerecida que Deus nos oferece.

Ser livre não é, como se diz, poder fazer tudo o que se quer fazer; liberdade é poder justamente escolher não mais satisfazer os nossos desejos destrutivos, a fim de praticar o que constrói, o que amplia bons valores, o que cura.

Páscoa é isso! É libertação de velhos costumes e hábitos escravizantes (que se tornaram leis por causa da sua prática constante), de velhos valores (que deterioram nossas relações com o próximo e com Deus); é a ruptura com a hipocrisia, com a maquinação do mal, com o egocentrismo, com a maldade, com a falta de humildade para se pedir perdão, com a infantilidade eterna diante da vida, de nós e do outro!

Feliz páscoa a todos; feliz para quem já foi liberto, porque, caso contrário, será apenas um dia a mais, um feriado em casa, às vezes solitário...

Mas a libertação não é algo total, única e definitiva. É progressiva, ocorre passo-a-passo, depende de nosso querer, de nossa disposição de mudar, de renovar e, por que não, de revolucionar! Quem pensa que já está totalmente livre é porque ainda não sabe o que é estar livre, é tolo como um detento que sai apenas para tomar sol e pensa estar em liberdade! Geralmente, os que assim pensam, arrogantemente se consideram os donos da verdade, da liberdade; apregoam-se verdadeiros conhecedores de Deus.

Liberdade requer tomada de posição, de recusa de tudo o que é mal, mesmo que essa escolha requeira o sofrimento pessoal. Então, vale a pena iniciá-la a qualquer momento; não há data marcada ou tempo predeterminado. O livro de Hebreus lembra: "hoje, se ouvirdes a voz do Espírito Santo, não endureçais os vossos corações...". O tempo é sempre agora... o ontem não se muda e o amanhã é totalmente incerto.

Feliz páscoa a todos!!!!!!!

O coelho e o chocolate? Ficam por conta do consumismo capitalista!
(M.O. Ferreira)

domingo, 29 de março de 2009

FIEL É O QUE PROMETEU

Hebreus 10:19-23

(19) Tendo, portanto, irmãos,
liberdade para falar (ousadia de expressão) em direção ao acesso das coisas santas, no sangue de Jesus, (20) que fez novo em nós um caminho recente e vivo através do véu (cortina), isto é, da carne dele.
e
(21) grande sacerdote sobre a casa de Deus,

(22) acheguemo-nos (aproximemo-nos) com verdadeiro coração em porte pleno de fé, aspergidos (purificados) os corações da má consciência e lavados em relação ao corpo com água pura.

(23) seguremos fortemente o igual discurso (discurso concordante, harmônico) da esperança não inclinada (não entortada), pois fiel é o que prometeu...



Estamos diante de uma exortação, isto é, de palavras de encorajamento espiritual. O escritor quer tanto motivar os seus leitores a manter uma relação próxima com Deus quanto persuadi-los às ações de aproximação (acheguemo-nos) e de sustentação (seguremos fortemente).

Mas o que autoriza essa aproximação (v. 22)? O que nos leva a manter firmemente o discurso harmônico da esperança não entortada (v. 23)?

Primeiro, a condição de podermos nos mover sem medo, de podermos dirigir nossas palavras livremente aos lugares santos onde estão as coisas santas (v. 19). Essa liberdade às portas de acesso foi conquistada no sangue de Jesus (v. 19). Não só no sangue, pois o recente e vivo caminho (v. 20) foi inaugurado por meio da sua carne. Sangue e carne certificam a humanidade do Filho de Deus, a sua encarnação, o seu estado humanizado, mas também, a sua condição mortal, a sujeição de seu corpo ao sofrimento e à morte, de modo que pelo seu sangue derramado e pela sua carne vazada – o recente caminho (meio, maneira, modo) estabelecido - é que houve a concessão da LIBERDADE de nos endereçar ao que é santo.

Chama-nos a atenção o uso da palavra prósfaton – v. 20 - que traduzimos como recente. Na origem, porém, significa recentemente morto, evoluindo posteriormente para muito fresco> muito recente> novo. No contexto, o sentido original pode ter a sua razão de ser, pois o novo caminho que está vivo estivera recentemente morto. Aparentemente, o autor pretende fixar a dicotomia morto/vivo como essência desse caminho, como formado pela morte/vida. As suas características vivo e novo se estabelecem em conjunto com o seu outro lado indissociável: a morte. É do sangue vertido e da carne vazada, da oferta de Cristo em oblação (v. 10) e de seu levantamento dentre os mortos é que esse novo meio se firma. Considerando que o acesso a esse caminho (modo, maneira) se dá no sangue de Cristo e por meio da sua carne, é evidente que fazer referência ao que ao que estivera recentemente morto é asseverar que o acesso às coisas santas se dá por meio de Cristo (morto e ressuscitado).

Além dessa liberdade para dirigir-se ao lugar onde está Deus, o cristão ainda conta com um grande sacerdote (v. 21). Este sacerdote não é imperfeito, não oferece sacrifícios inaptos múltiplas vezes (v. 11), mas é grande. É grande porque o seu sacrifício foi o seu próprio corpo, perfeitamente oferecido uma única vez para remissão completa do pecador (v.12 e 14).

No v. 23, o autor fala o que se deve manter firmemente: o discurso harmônico da esperança não inclinada (portanto, reta, sem inclinação), isto é, a conservação da concordância que existe na esperança íntegra, alinhada à verdade, da fé cristã.


SURGE ENTÃO A QUESTÃO: EM QUE SE FIRMA ESSA ESPERANÇA?


Como se já não bastasse o fato do sacrifício perfeito de Cristo, o escritor de Hebreus (seja ele quem tenha sido, pouco importa) adiciona ainda a garantia da fidelidade do prometedor: v. 23 - ...pois fiel é o que prometeu...

Ora, como toda esperança, a esperança cristã é algo ainda não atingido, não alcançado; está relacionado ao futuro, embora seja “gestada” na alma do cristão no tempo presente. Mesmo que a esperança esteja ligada ao porvir, o cristão já se lhe resigna no presente, pois crê que fiel é o que prometeu. A perseverança/ paciência são essenciais para alcançar a realização da esperança (v. 36).

A necessidade de segurá-la (a esperança não-entortada) fortemente , porém, mostra-nos que ela é suscetível a influências destruidoras, que é passível de sofrer alterações negativas. Portanto, para firmá-la apela-se para o caráter daquele que fez a promessa. Mas quem é ele? Qual é a sua legitimidade? Que provas/evidências deixou de que é capaz de cumprir o prometido?

Somente quando se tem conhecimento suficiente a respeito daquele que promete e quando se aceita a sua autoridade e a sua legitimidade para prometer é que a esperança se mantém viva. Tão-só a aceitação da aptidão do prometedor seja validada, a esperança se estabiliza.

Para o escritor de Hebreus, o discurso concordante (harmonioso) da esperança não inclinada pode manter-se firme, porque está calcada na fidelidade de Deus (as evidências da competência de Deus estão espalhadas em todo o livro); ela é “não inclinada” (akliné), porque se sustenta no caráter imutável daquele que fez as promessas. Neste ponto, é evidente que a fé é o fundamento das coisas esperadas (11.1).


OUTRA QUESTÃO EMERGE: A QUEM OU A QUE A FIDELIDADE DIVINA SE MANTÉM?


Essa é uma das principais questões que poderíamos levantar neste momento.

Centrados em nós mesmos, não é incomum acreditarmos que Deus é fiel a NÓS!

Os textos bíblicos, porém, não validam essa ideia antropocêntrica. O hino que diz “tu és fiel Senhor, fiel a mim” parece refletir bem o pensamento do homem que concentra em si mesmo os atributos de Deus. Coloca-se como centro das intenções divinas, tornando Deus responsável pelo sucesso das suas atividades.

Associamos a fidelidade de Deus a carnês de contribuição financeira que “obrigam” Deus a agir, a ser fiel na retribuição do valor ofertado à instituição religiosa. Diz-se “Deus é fiel, por isso conquistei isso e aquilo”; “Deus é fiel, por isso vou conquistar isso e aquilo”, porque fiz um carnê para mim, um para minha esposa, um para o meu filhinho etc...

Associamos a fidelidade de Deus aos mais diversos problemas humanos: casar, engravidar, ganhar dinheiro, ter saúde, ganhar promoções no trabalho, ter passado em concursos, ter vencido o campeonato de futebol, ganhar em concorrências públicas, comprar bens...

Como uma espécie magia para “fechamento do corpo”, alguns fizeram tatuagens com essas palavras; como um talismã de proteção. Isso me lembra da época em que as pessoas compravam (ou compram ainda) o Salmo 23 ou o 91 e punham (põem) nas paredes, nas geladeiras, debaixo do travesseiro, para se sentirem seguras.

Teria sido porque “Deus é fiel” que o Ronaldo está jogando no Corinthians? Para alguns, provavelmente.

O egocentrismo é nítido quando observamos numa canção a ênfase da fidelidade de Deus para o homem:

Sim, Deus é fiel para cumprir
Toda palavra dita a mim
Deus é fiel, Deus é fiel

Sim, Deus é fiel, para cumprir

Toda promessa feita a mim
Deus é fiel, Deus é fiel

Fiz uma busca na internet da frase “Deus é fiel”. Não me surpreendi com os resultados, mas encontrei coisas bem bizarras como:

- FAZCABOS(DEUS É FIEL). Confeccionamos cabos de áudio e vídeo em geral sob medida para todo e qualquer equipamento eletrônico.

- Camiseta, DEUS É FIEL, religiosa, evangélica, biblia, gospel.

- DEUS É FIEL - CALCULADORA ESTOJO E CANETA 3 EM 1

- Adesivos Japoneses – Deus é Fiel - (kanjis - Ideogramas)

- Não foi difícil encontrar restaurantes, lojas de informática, imobiliárias, concessionária de veículos, óticas, chaveiro, Rádio, loja de turismo, de eventos, de antenas, chácara, caravana, comércios dos mais diversos com essa expressão ou com esse nome.

- Em algum lugar dos MUITOS sites pesquisados a expressão “Deus é fiel” está presente, como uma espécie de garantia divina de que o negócio vai dar certo. Destaco um caso em que uma pessoa, oferecendo serviços de construção e reforma de casas, colocou a expressão ao lado do anúncio certamente para garantir “vitória”.

- VÁRIOS ANÚNCIOS no Primeiramão trazem a expressão como um talismã para as vendas.

- Curiosamente encontrei em um fórum uma pessoa que perguntava:
“oi, gostaria de saber como se escreve a frase “Deus é fiel” em hebraico, japones, chines, arábe, alemão,muito obrigado...”

- Em um site chamado “Só na cachaça” encontrei a seguinte notícia: “Carla Perez é fiel!!
(http://74.125.113.132/search?q=cache:XHRdltbm-VwJ:www.sonacachaca.com/carla-perez-fiel/+%22Deus+%C3%A9+fiel%22&cd=347&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br)

Acho que com esses poucos exemplos, já é possível perceber a aberração que causamos a essas palavras.

Precisamos definir, então, A QUE OU A QUEM DEUS É FIEL.

A primeira coisa que precisamos lembrar é que todos os atributos de Deus pertencem-lhe por natureza e não por consequência. Deus não é amor em razão de algo existir para ser amado externo a ele. Deus não é imortal porque existem os mortais. Deus não é justiça porque existe a injustiça. Na verdade, o ódio, a mortalidade e a injustiça etc. existem por consequência, em oposição ao que Deus é. É bem o oposto, portanto.

Assim, a fidelidade divina não existe porque há seres a quem Deus “deve” ser fiel. Ela existe porque integra a natureza de Deus que se basta a si mesmo.

Então, a quem Deus seria amor, justiça, fiel etc. se a criação (do seres espirituais, do homem e de outros desconhecidos) não existisse? A resposta é simples: a si mesmo.

Leiamos:

Romanos 3: 1Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? 2Muita, em toda maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas. 3Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? 4De maneira nenhuma! Sempre seja Deus verdadeiro...

A infidelidade do homem não anula a fidelidade de Deus, porque ele se basta! Não depende de ninguém para ser o que é! Sua fidelidade se ajusta ao que Ele pensa e ao que Ele diz. A que ele permanece fiel? Às suas palavras que confiou aos homens, pois

2 Timóteo 2:13 se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.

Há momentos, porém, que Deus LIVREMENTE se compromete com homens. Com quais? Com todos? De jeito nenhum. Há promessas e promessas. Ninguém, por certo, em sã consciência, tomaria para si a que foi feita a Abraão, afirmando também que a sua posteridade se tornará como as estrelas do céu! Ninguém pode tomar o fim de Jó como padrão de ação divina quanto a todos. Ninguém pode achar que Enoque transladado é exemplo comum a todos, ou que a ressurreição de mortos sempre ocorrerá porque Elias ressuscitou o filho da viúva. Não é certo que a estéril terá filhos como Sara. Não é certo que a boca do leão sempre será fechada. Não é certo que a fornalha não nos arderá. Não é certo que seremos governadores do Egito. Não é garantido que faraó não nos alcançará. Ora, são promessas particulares, não extensíveis. Delas aprendemos que Deus pode e que faz segundo a Sua vontade e somente a quem Ele quiser. E isso é comprovado tanto pelas nossas próprias experiências de vida quanto pela Bíblia, como diz Hebreus 11:36-38:

36E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. 37Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio de espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados 38 (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

Mas teria sido Deus infiel com estes e por isso sofreram tudo isso? DE MODO ALGUM. Acaso Deus lhes prometera algum livramento? Não! Assim, a fidelidade de Deus a si mesmo não está abalada! O sofrimento deles ensina-nos que servir a Deus não garante vida triunfal, que ser cristão não assegura o sucesso; ensina-nos que o ato de servi-Lo não deve ser dependente de Suas manifestações miraculosas, mesmo quando o leão está faminto. O certo é que Deus não perde os seus atributos, sejam eles quais forem, porque sofremos, perdemos e morremos. NÃO. Ele sempre será o que é, pois Ele se basta!


EM QUE, ENTÃO, A FIDELIDADE DE DEUS ATINGE A NOSSA VIDA?

Pelo menos em duas situações:

1) Quando há promessas gerais a todos os que crêem: (Mateus 28:20) e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!

Todas as promessas coletivas feitas à igreja serão fielmente cumpridas. Nesse exemplo, o “estou convosco” apenas promete a contínua presença, mas nada além disso no âmbito da vida humana. Não esperemos saúde, felicidade, imortalidade, riqueza dessa promessa. A atribuição de novos valores às promessas pode causar profundas inclinações na esperança, pois Deus não tem compromisso pessoal com eles. Pela fé, porém, sabemos que o Senhor comprometeu-se a estar conosco, seja qual for a situação vivida e seja qual for o seu desfecho.

2) Quando há promessa específica - que são mais raras - que exigirá uma manifestação exterior à Bíblia (sem nunca contradizê-la). Poderíamos relacionar aqui testemunhos de homens e mulheres que dedicaram suas vidas a Deus até a morte, e que receberam orientações e promessas particulares. Entretanto, desconheço que alguém tenha recebido algo para o bem-estar pessoal, para o sucesso individual, para o êxito em negócios particulares. Chego mesmo a duvidar de todo testemunho relacionado à satisfação da ambição humana:

Tiago 4:3: Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites.

Quando lemos Hebreus 10.19-23 o que temos é uma palavra de encorajamento baseada em ações divinas. Cristo, o grande sacerdote, abriu no seu sangue e por meio de sua carne um caminho novo (meio novo), de modo que temos liberdade para falar (acesso livre a) com Deus. Nessas condições, o cristão é motivado a se achegar sem medo e a guardar fortemente o discurso concordante da esperança não-entortada. A razão disso tudo é que DEUS É FIEL, não a algum de nós, mas ao que Ele prometeu.

Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão Mateus 24.35

segunda-feira, 9 de março de 2009

Por que creio em Deus?

Não creio em Deus porque se diz que Ele cura,
pois toda vez que a mortalidade se mostrasse aguda (e ela se mostra frequentemente), eu deixaria de crer;

Não creio em Deus porque se diz que Ele salva,
pois se o mais próximo se perdesse (e isso sempre é possível), eu me tornaria descrente;

Não creio em Deus porque se diz que Ele fala,
pois quando ficasse mudo (quantos já O ouviram?), eu O desprezaria;

Não creio em Deus porque se diz que Ele é fiel,
pois quando não O entendesse assim, eu O abandonaria;

Creio porque Ele é; isso me basta.
(M.O. Ferreira)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Os pais são sempre justos e bons com todos os seus filhos: garantem-lhes o mesmo destino final.